Greening dos citros (HLB) e o psilídeo: guia de operação para o pomar
Como a equipe da fazenda monitora o greening e o psilídeo toda semana: rotas por talhão, armadilhas, brotações, registros, gatilhos de ação e revisão.
O greening dos citros, ou HLB, é uma doença sem cura causada por bactérias transmitidas pelo psilídeo Diaphorina citri, e em 2026 já atinge 48,08% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro. Contra o greening, a planta doente não tem conserto, mas quantos psilídeos entram e saem dos seus talhões é algo que a equipe de campo pode medir e combater toda semana. É isso que faz um programa de monitoramento: coloca os mesmos monitores nos mesmos talhões numa frequência fixa, registra psilídeos e sintomas planta por planta e transforma cada limite ultrapassado numa resposta antes que a doença passe para o talhão vizinho.
Este guia trata do lado operacional: quem percorre quais talhões, quantas plantas e brotações amostrar, o que cada observação registra, quando agir e como revisar os resultados talhão por talhão. Funciona no papel. Os métodos vêm do Fundecitrus, as obrigações do MAPA e dos órgãos estaduais de defesa. Os números finais são do seu agrônomo e da norma do seu estado.
Como o greening se espalha
O psilídeo adquire e transmite a bactéria após 15 minutos de alimentação, e a aquisição é ainda mais eficiente na fase de ninfa. A fêmea põe os ovos nos brotos, onde as ninfas se desenvolvem, e a transmissão também é mais eficiente em brotos do que em folhas maduras. Cada brotação é, ao mesmo tempo, janela de criação do vetor e janela de infecção da planta. Entre julho e outubro, o pomar concentra de 50% a 80% das brotações do ano e mais da metade das capturas do psilídeo.

Adultos, ninfas e ovos do psilídeo numa brotação nova, onde ele se cria. Foto: USDA APHIS, David Bartels, domínio público.
Os sintomas demoram. Segundo o Fundecitrus, aparecem entre 4 e 10 meses depois da infecção, e uma planta infectada, mesmo sem sintomas, já pode servir de fonte da bactéria. Talhão com cara de sadio não é talhão sadio.
Fonte: Fundecitrus.
A borda concentra o problema. Cerca de 80% dos psilídeos e das plantas infectadas ficam nos primeiros 100 a 200 metros a partir da divisa da propriedade, e 70% dos psilídeos estão na borda dos talhões. As fontes externas pesam: pomares abandonados, chácaras, quintais e a murta (Murraya paniculata). O Fundecitrus recomenda mapear essas fontes num raio de pelo menos 5 km.
O greening da laranja já pesa na produção. Na safra 2025/26, o greening respondeu por 13,0 dos 23,2 pontos percentuais de queda de frutos, cerca de 49,59 milhões de caixas. E a incidência varia muito entre regiões: de 82,10% em Limeira a 0,31% no Triângulo Mineiro.
Sintomas em que treinar os monitores
O monitor precisa reconhecer duas coisas: o vetor em todas as fases e a doença na copa e no fruto.

Psilídeo adulto numa brotação nova. Foto: USDA ARS, David Hall, domínio público.
| O que procurar | Como reconhecer | Com o que se confunde |
|---|---|---|
| Ovos do psilídeo | Nos brotos, onde a fêmea põe até 800 ovos | Resíduos; confira com lupa |
| Ninfas | Corpo achatado, amarelo-alaranjado, eliminando substâncias brancas | Outros insetos sugadores do broto |
| Adultos | 2 a 3 mm, asas transparentes com bordas escuras | Outros insetos pequenos na armadilha; confira as asas |
| Mosqueado | Manchas que alternam verde e amarelo sem simetria entre as duas metades da folha | Deficiência de zinco, com clorose quase simétrica entre as nervuras; CVC; gomose |
| Ramos amarelos | Um ou mais ramos com folhas amareladas quando jovens e mosqueadas quando maduras | Ramos quebrados ou anelados, que não mostram sintoma no fruto |
| Fruto | Pequeno, deformado e assimétrico, alaranjado no pedúnculo, com sementes abortadas | Maturação desuniforme por outra causa; corte o fruto |
| Queda de frutos | Nos ramos afetados, pode chegar a 80% | Queda por clima ou outras doenças |

Mosqueado: o amarelo não se repete dos dois lados da nervura central. Pomar de laranja no Texas. Foto: USDA APHIS, David Bartels, domínio público.

Laranja com greening aberta: assimétrica em relação ao eixo central. Foto: USDA APHIS, R. Anson Eaglin, domínio público.
Treine primeiro a assimetria: é o que separa uma suspeita de greening de um problema de nutrição. Os sintomas aparecem o ano todo, mas com mais frequência entre o fim do verão e o início da primavera.
Como desenhar a rota de monitoramento
Rode dois tipos de rota, porque o vetor e a doença andam em ritmos diferentes.
- A rota do psilídeo lê as armadilhas e revisa brotações num grupo fixo de plantas de cada talhão, com peso nas bordas, toda semana.
- A inspeção de greening percorre as plantas do talhão em busca de sintomas, várias vezes por ano, e marca cada planta suspeita para eliminação.
Para montar as duas numa fazenda de mais de 100 hectares:
- Divida a fazenda em talhões que um monitor termine numa manhã. O talhão é a unidade de decisão: um limite, uma decisão de manejo, uma linha na revisão.
- Designe um monitor por talhão, com um substituto. A mesma pessoa no mesmo talhão percebe a mudança. Faça um rodízio uma vez por safra para que nenhum talhão dependa de um só par de olhos.
- Fixe os pontos. Instale as armadilhas no terço superior das plantas da borda da propriedade, a 150–250 metros uma da outra, e numere as plantas da inspeção visual. Mantenha os mesmos pontos de uma rota para outra.
- Comece sempre pela borda. A inspeção visual do Fundecitrus segue um padrão em espiral, começando pelas bordas e terminando no centro do talhão.
- Reforce os pontos quentes. Pomares podados e irrigados, portarias, barracões e bins atraem o psilídeo, assim como talhões vizinhos de pomares abandonados.
- Programe as duas rotas por talhão e publique o calendário, para que uma rota perdida apareça no mesmo dia, e não no fim do mês.
No Arlo, cada talhão tem sua própria programação de rotas, e o celular do monitor mostra a próxima planta e o que verificar, mesmo sem sinal. O Arlo é cobrado por fazenda, então cada monitor tem sua conta. Veja as rotas de sanidade.
Amostragem: frequência, pontos por talhão e fase da brotação
| Recomendação do Fundecitrus | Exigência em São Paulo (Res. SAA nº 32/2026) | |
|---|---|---|
| Armadilhas amarelas | Leitura a cada sete dias e troca a cada duas semanas; duas faces, mínimo de 10 × 30 cm | Monitoramento do vetor a cada 15 dias, por armadilha ou registro visual de brotações |
| Inspeção visual de brotações | Semanal, nas bordas, em 1% das plantas, de três a cinco brotações por planta | Fiscalização: 2 brotos em 40 plantas por talhão (80 brotos), nas duas primeiras ruas, a 1,5 m ou mais |
| Inspeção de sintomas | No mínimo quatro por ano, em 100% das plantas | No mínimo duas vistorias por semestre, com até 90 dias entre elas |
Fontes: Fundecitrus, manual dos 10 mandamentos e página do greening e do psilídeo.
Três regras valem para qualquer estado:
- Amostre a brotação que o psilídeo usa. Ovos e ninfas ficam nos brotos. Anote a fase da brotação em cada ponto: zero psilídeo em folha madura diz pouco.
- Combine armadilha e olho. Nas áreas com controle químico, a armadilha detecta até 30 vezes mais psilídeos do que a inspeção visual; o manual dos 10 mandamentos fala em até 90 vezes. A revisão do broto mostra as ninfas, que dizem se o inseto está se criando no seu talhão.
- Inspecione sintomas com calendário próprio e várias passadas. Uma inspeção encontra de 30% a 70% das plantas com sintomas, e por isso o Fundecitrus pede no mínimo quatro por ano. O período varia entre as fontes: o manual concentra as inspeções de fevereiro a julho, e a página do Fundecitrus de fevereiro a agosto. Para dimensionar a equipe, o manual estima de 2.000 a 3.000 plantas por inspetor por dia a pé em pomares de até um ano, de 800 a 1.000 em pomares de um a quatro anos, e até 4.000 por dia numa plataforma.
O que registrar em cada observação
Se um registro não pode ser ligado a uma planta, uma data e um monitor, ninguém consegue comparar, agir ou apresentá-lo à fiscalização. Em São Paulo, os registros de monitoramento e de controle do vetor precisam ficar auditáveis por cinco anos. Fixe os campos para que toda rota produza os mesmos dados.
| Campo | Nível | Exemplo | Para que serve |
|---|---|---|---|
| Talhão, data, monitor | Rota | Talhão 14, 9 de outubro, J. Pereira | Cobertura e responsabilidade |
| Número da planta e ponto GPS | Planta | Planta 17, ±3 m | Voltar à planta marcada |
| Posição | Planta | Bordadura norte, centro | Pressão na borda contra o centro |
| Fase da brotação | Amostra | Broto novo, em expansão, maduro | Saber se um zero significa algo |
| Fases do psilídeo | Amostra | Ovos ✓, ninfas ✓, adultos ✗ | Percentual de brotos com ninfas |
| Psilídeos por armadilha | Armadilha | 1 | Tendência de adultos |
| Sintomas de greening | Planta | Mosqueado, ramo amarelo, fruto assimétrico | Lista de plantas para eliminar |
| Marcada | Planta | Sim, fita laranja | Liga a marca no campo ao registro |
| Foto | Planta | Folha com mosqueado | O agrônomo pode revisar o critério |
O Arlo guarda cada amostra com ponto GPS e precisão, horário e uma foto quando o formulário pede, mesmo sem sinal. Veja o que uma rota registra.
Limites de ação e plano de resposta
Para o psilídeo, o Fundecitrus é direto: por se tratar de um vetor, a presença de um único psilídeo já indica a necessidade de controle. Ninfas de 4º e 5º ínstar nos brotos indicam falha no manejo. Na fiscalização paulista, a propriedade com ninfas em 5% ou mais dos brotos vistoriados é caracterizada como de manejo inadequado e pode ser notificada. São dois números com papéis diferentes: um é a recomendação técnica, o outro, o mínimo legal. Seu agrônomo define o gatilho de cada talhão.
O controle também é regional. O manejo regional do greening é o combate coordenado por vários produtores de uma mesma região, e o Alerta Psilídeo, do Fundecitrus, publica as capturas por região. O limite do talhão é um gatilho; o alerta regional é outro.
Produto, dose e momento de aplicação seguem o rótulo registrado no MAPA, a norma do seu estado e o seu agrônomo. Este guia não recomenda nenhum.
Quando o monitor encontra uma planta com sintomas, siga sempre o mesmo procedimento:
- Marque e localize. Coloque fita na planta e registre número, rua e ponto GPS.
- Documente o sintoma. Fotografe a folha com mosqueado ou o fruto e anote qual parte da copa mostra o sintoma.
- Controle o psilídeo antes de eliminar. O Fundecitrus recomenda pulverizar a planta doente antes da erradicação, para que os psilídeos não migrem para as vizinhas.
- Elimine conforme a norma. A Portaria SDA/MAPA nº 1.326/2025, que revogou a Portaria 317/2021, exige vistorias trimestrais para identificar e eliminar plantas com sintomas, por conta do produtor e sem indenização, e deixa os critérios de eliminação ao órgão estadual. Em São Paulo, a eliminação é obrigatória até o terceiro ano nos municípios de alta incidência (acima de 10%) e em pomares de qualquer idade nos de baixa incidência. Em Minas Gerais, o IMA exige inspeção trimestral nas áreas com registro oficial da doença. O corte é rente ao solo.
- Reporte. A norma federal pede dois relatórios por ano, até 15 de julho e até 15 de janeiro, com os resultados das vistorias e das eliminações do semestre.
- Feche o ciclo. Registre a data da eliminação e revise as plantas vizinhas na próxima inspeção.
No Arlo, qualquer campo do formulário pode ter um limite. Quando uma rota passa dele, o Arlo envia um e-mail às pessoas que você escolher, com o valor, o limite e o link da rota. O Arlo não diagnostica o greening. Veja como funcionam os alertas.
Revisão dos resultados talhão por talhão
Revise todos os talhões toda semana, olhando sempre as mesmas cinco coisas:
- Cobertura: todas as rotas programadas foram feitas e chegaram às plantas certas? Um talhão que pulou duas rotas em plena brotação é o seu maior risco, seja qual for a última contagem.
- Tendência: compare esta rota com a anterior do mesmo talhão. Mais brotos com ninfas numa borda costumam apontar a fonte: um pomar abandonado, um quintal, uma murta.
- Borda contra centro: se o psilídeo só aparece na borda, é ali que ele está entrando. Seu agrônomo decide o manejo.
- Plantas suspeitas: conte plantas marcadas, eliminadas e relatadas. Uma planta marcada que fica semanas no pomar continua alimentando psilídeos.
- Resposta: depois de uma aplicação, a rota seguinte deve mostrar o efeito. Se aparecerem ninfas de 4º e 5º ínstar, leve ao agrônomo.
No Arlo, duas rotas do mesmo talhão aparecem lado a lado, com mapa de calor que localiza o foco planta por planta, e a cobertura de rotas aponta os talhões que estão há duas semanas sem rota. Veja a comparação de rotas.
Erros comuns
- Amostrar o meio do talhão. É onde o psilídeo chega por último. Comece pela borda.
- Contar em folha madura. Se não há brotação, registre isso e programe a próxima rota para o início da brotação.
- Cortar o cartão ao meio. Cartões cortados ou com uma só face com cola reduzem a eficiência de captura.
- Trocar plantas ou método entre rotas. Assim você não sabe se mudou o talhão ou mudou a amostra.
- Chamar de greening toda folha amarela. Clorose simétrica aponta para nutrição. Treine a assimetria.
- Confiar numa inspeção só. Uma passada encontra parte das plantas doentes; por isso são no mínimo quatro por ano.
- Marcar plantas sem localização. Uma fita sem número nem ponto GPS é difícil de achar num talhão grande.
- Podar em vez de eliminar. A poda de ramos com sintomas é inútil e até perigosa.
Como rodar o programa no Arlo
O método funciona no papel. O Arlo encurta o caminho entre o campo e a decisão:
- Formulários. Monte um para o psilídeo (fase da brotação, fases do psilídeo por broto, psilídeos por armadilha) e outro para a inspeção de greening (sintomas, marcação, foto). Defina a porcentagem de plantas do talhão que cada rota deve cobrir.
- Programação. Dê a cada talhão suas rotas de psilídeo e de inspeção. O monitor percorre a rota no celular, sem sinal, e as rotas concluídas sobem quando o sinal volta.
- Alertas. Coloque o gatilho do seu agrônomo no campo do formulário, por exemplo um percentual de brotos com ninfas. O Arlo envia um e-mail às pessoas escolhidas quando uma rota passa dele.
- Revisão. Quando a rota sobe, um resumo com IA compara cada indicador com seu limite e aponta o que está subindo. Você também pode perguntar sobre uma rota no WhatsApp e ver lacunas de cobertura por talhão.
Diagnóstico, relatórios e decisões de manejo continuam com o agrônomo e a defesa sanitária. O Arlo está em espanhol e inglês.
Conheça as rotas de sanidade do Arlo (página em espanhol) ou agende uma demonstração de 20 minutos.